Sempre repito que desconfio de mim mesmo quando concordo com algo escrito pelo ministro Gilmar Mendes.
Não sei o nome correto da peça jurídica que ele apresentou ao ministro-presidente, mas, na essência, ele está corretíssimo ao defender a necessidade de verificar qual ministro, se ainda restar algum, teria condições jurídicas de votar no processo que envolve o pedido de investigação de Alexandre de Moraes e dos demais ministros mencionados no caso Master. Se sobrar algum, é preciso, preliminarmente, verificar as implicações em relação a cada um e, depois, votar os demais processos para decidir se aquele ministro deve ser investigado ou não.
Só para lembrar: nem o presidente da República sabe se recebeu ou não um uísque do banqueiro, o qual o encontrou em segredo e fora da agenda por algumas vezes. Só sabe que, se o recebeu, já o consumiu. O procurador-geral morria de saudades e o diretor-geral da Polícia Federal, quem diria, babou no charuto de Vorcaro.
Minha base para auxiliar o ministro é o que já foi noticiado. Portanto, seria justo começar pelo ministro Gilmar Mendes, cuja presença foi apontada pelo noticiário num fórum jurídico em Londres, patrocinado pelo banco Master, além de um contrato firmado com uma de suas sócias.
José Antonio Dias Toffoli teve uma relação tão confusa com o caso que, depois de avocar o processo do banco, deixou a relatoria após uma série de decisões consideradas absurdas. Seu envolvimento também incluía a venda do resort Tayayá para empresas de Vorcaro.
Alexandre de Moraes começou por defender o direito de um ministro ser empresário, posição apoiada por ninguém menos que Dias Toffoli. Houve ainda um megacontrato de sua esposa com o Master. Ainda sem negação, foram encontradas 52 mensagens no telefone de Vorcaro para um número que seria do ministro Alexandre de Moraes.
Luiz Fux teve a notícia de que seu filho também foi contratado pelo banqueiro. Ele inclusive o teria chamado de irmão, e, até então, quem não gostaria de sê-lo? Além disso, ao modo da premiação do Oscar, prometera tapete vermelho ao banqueiro.
Kássio Nunes Marques teria como envolvimento alguns pedidos de estadia em hotéis de luxo e ingressos para shows, além de uma amiga que teria um contrato de quase meio bilhão de reais.
Por último e, por enquanto, até o ministro "terrivelmente evangélico" teria recebido Vorcaro para um mero bate-papo rápido e único, existindo insinuações de que ganhasse um terninho.
Se todos os seis forem medidos pela mesma régua, sobrariam, por enquanto, quatro. Para decidir sobre seis, eles são colocados sob uma cruz demasiadamente pesada. Ou seja, esse imbróglio, além de pitoresco, é muito grave, e só a ironia pode aliviar um pouco a situação. O Supremo Tribunal Federal foi colocado sob a lona, e a única saída juridicamente correta parece ser justamente a que não será enfrentada: a punição dos seis envolvidos na proporcionalidade de seus contratos, de suas benesses ou da quantidade de perguntas comprometedoras não respondidas.
