Em 2012 o Brasil entrou em choque quando os jornais e demais veículos de comunicação começaram a noticiar um crime, que a princípio, em muito se assemelhava a uma espécie de ritual satânico, embora, adjetivos demoníacos até hoje rondem a homicida.
Pedaços do corpo de um homem foram espalhados por diferentes locais, de Cotia, São Paulo, com cortes, que a mídia retratava como sendo executados "por alguém que sabia exatamente o que estava fazendo".
Não demorou muito o sobrenome Matsunaga ganhou destaque em letras garrafais, o corpo era do executivo Marcos Kitano Matsunaga, até então, casado com Elise Matsunaga, a quem a mídia reviraria as vísceras, descobrindo seu passando como garota de programa.
Ainda ontem, quando nos vimos mergulhados no cenário dantesco que envolveu Thales Machado, que após descobrir uma traição da esposa, optou por ceifar a vida dos filhos, que nada tinham com o caso extraconjugal, e depois se matar, meu primeiro pensamento foi a dor de ambas as famílias e como a crueldade da internet poderia agravar tudo isso.
E o fato é que, a esposa, que não contribuiu em nada para os assassinatos, já que estamos diante de um caso flagrante de um homem que não soube lidar com as próprias frustrações, precisa lidar com mais esse corte, a condenação do tribunal midiático.
Mas, e onde entra Elise Matsunaga nesse cenário? Simples, incauto leitor. Mesmo traída, agredida, e não estou defendendo seus atos, mas exemplificando. Ela se vingou de quem adulterou, mas, poupou a filha. Mesmo na frieza de esperar todo o sangue verter, para depois esquartejar o marido, ela cuidou para que a criança estivesse em outro ambiente, ela soube lidar com as frustrações, de forma a não atingir a quem amava. E quem a mídia demoniza até hoje? Elize.
Já no caso de Thales Machado, os julgamentos estão todos voltados para a esposa que traiu. Isso precisa ser debatido, não é normal martirizar um homicida e condenar uma mãe. Não é a romantização da traição, mas um chamado claro para proteção da mulher, que ao que tudo indica, depois da mordida da maçã nunca mais teve um dia sequer de paz!
