Opinião

OS MALES DO USO EXCESSIVO DE TELAS AO LONGO DA VIDA

Foto de Dr. Hyaggo Arruda

O avanço tecnológico trouxe benefícios inegáveis à comunicação, educação e trabalho. Contudo, o uso excessivo de telas tem sido associado a prejuízos físicos, psíquicos e sociais em todas as faixas etárias. Paralelamente, cresce a preocupação com jogos de azar online — como BET, “Tigrinho” e cassinos virtuais — que podem configurar transtornos mentais reconhecidos.

 

Crianças e adolescentes

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda:

0 a 2 anos: nenhuma exposição a telas

2 a 5 anos: até 1 hora/dia

6 a 10 anos: até 2 horas/dia

11 a 17 anos: até 3 horas/dia (uso recreativo, com supervisão)

 

Evidências científicas associam o excesso de telas a:

- maior risco de ansiedade e depressão

- distúrbios do sono

- piora da atenção e desempenho escolar

- aumento do sedentarismo e obesidade

- prejuízo na regulação emocional

 

Estudos longitudinais demonstram correlação entre alto tempo de tela e pior bem-estar psicológico, especialmente com uso noturno e exposição intensa a redes sociais e jogos eletrônicos.

 

Adultos

 

Em adultos, o uso excessivo de telas está relacionado a:

- sedentarismo prolongado, fator de risco cardiovascular

- distúrbios do sono

- sobrecarga cognitiva e redução da produtividade

- maior prevalência de sintomas ansiosos e depressivos

 

A American Psychiatric Association reconhece que comportamentos digitais podem assumir padrão compulsivo, com prejuízo funcional semelhante ao observado em dependências químicas.

 

Idosos

 

Embora as telas possam favorecer inclusão digital, o uso excessivo pode:

- aumentar o isolamento social

- reduzir atividade física

- associar-se a sintomas depressivos

 

O equilíbrio entre tecnologia e interação presencial é determinante para a saúde mental nessa faixa etária.

 

Jogos de azar online e classificação diagnóstica

 

O Transtorno do Jogo (Gambling Disorder) é oficialmente reconhecido no DSM-5 da American Psychiatric Association como um transtorno relacionado a comportamentos aditivos.

 

Critérios incluem:

- necessidade de apostar valores crescentes

- perda de controle

- tentativas frustradas de parar

- jogar para aliviar sofrimento emocional

- prejuízo financeiro, familiar ou profissional

 

Plataformas digitais como BET, “Tigrinho” e cassinos online utilizam mecanismos de recompensa intermitente que estimulam circuitos dopaminérgicos cerebrais, favorecendo tolerância e compulsão.

 

O DSM-5 também descreve o Transtorno de Jogos pela Internet (Internet Gaming Disorder) como condição associada a prejuízo funcional significativo.

 

O uso excessivo de telas é uma questão de saúde pública. Evidências científicas demonstram impactos no desenvolvimento infantil, na saúde mental do adolescente, na produtividade do adulto e no bem-estar do idoso.

 

Somado a isso, os jogos de azar online representam uma forma reconhecida de dependência comportamental, com consequências emocionais, sociais e financeiras graves.

 

Tecnologia deve ser ferramenta. Sem limites, pode tornar-se fator de adoecimento.

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