Opinião

A VIOLÊNCIA VICÁRIA E SUA FACE MAIS CRUEL

Foto de Fernando Henrique Freire Machado

A tragédia recente em Itumbiara, transcende a narrativa comum de um "crime passional" ou um "surto isolado". O episódio expõe uma ferida social profunda e devastadora: a violência vicária, aquela em que os filhos são covardemente utilizados como ferramentas para infligir sofrimento psicológico extremo à mãe.

 

​Esta é, sem dúvida, uma das facetas mais perversas da violência de gênero. Nela, o agressor não busca apenas ferir o corpo; ele busca aniquilar a alma da mulher através daquilo que ela mais ama. Não se trata de um impulso descontrolado, mas de uma estratégia punitiva.

 

 É a metamorfose do vínculo afetivo em arma de destruição.

​No turbilhão de especulações e discussões políticas, precisamos resgatar o que é essencial. Sim, conflitos conjugais existem. Sim, separações são dolorosas e traições podem estilhaçar a confiança. No entanto, é imperativo estabelecer um limite ético e humano: absolutamente nada autoriza a violência.

 

​O adultério fere o orgulho e o coração, é verdade. Mas o sofrimento individual não é um salvo-conduto para o crime. Nenhuma traição justifica o silenciamento de uma vida, e nenhum orgulho ferido vale o sacrifício do futuro de uma criança. Quando a mágoa se converte em vingança, a humanidade perde.

 

​A verdadeira força não se manifesta na reação odienta ou no domínio sobre o outro. Ela reside no autocontrole, na busca por auxílio e na coragem de seguir adiante, escolhendo a paz em vez do caos. A maturidade consiste em transmutar a dor em crescimento, jamais em aniquilação.

 

​Para construirmos uma sociedade genuinamente segura, é urgente rompermos com as noções arcaicas de posse e o ciclo vicioso da vingança. O amor não aceita o domínio; filhos não são escudos ou projéteis. O sofrimento, por mais agudo que seja, jamais poderá ser usado como álibi para destruir o sagrado direito à vida.

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