A evolução do ser humano, enquanto ser racional, passa pela aprendizagem. Hoje no Brasil, tanto a nobre tarefa de ensinar quanto a arte de aprender estão passando por uma crise que nos faz andar para trás, nos tornando um país pobre e subdesenvolvido.
Hoje passar pelo crivo de um vestibular não é mais preocupação, aprova-se por telefone, basta dispor de 300 reais mensais, e não precisa nem ir todos os dias à faculdade, acessar on-line, quando e se o aluno puder.
ANALFABETISMO EM CURSOS SUPERIORES
Dados recentes do Indicador de Analfabetismo Funcional, divulgados em 2025, indicam que 12% dos brasileiros com ensino superior completo, ou incompleto, são considerados analfabetos funcionais.
Embora tenham um diploma de graduação ou estejam cursando, apresentam dificuldades significativas em interpretar textos, associar informações e realizar operações matemáticas mais complexas.
Estamos falando de um em cada oito brasileiros com ensino superior brasileiro considerado analfabeto funcional.
FACULDADES DE MEDICINA
Dos médicos que atualmente se formam, aqueles profissionais que um dia irão cuidar da saúde de todos nós, menos de 10%, têm plena formação considerada plenamente satisfatória.
96 mil estudantes do último ano do curso de medicina participaram da prova que foi aplicada em 225 cidades em outubro de 2025, pelo MEC, para avaliar os cursos de medicina.
Foram avaliadas 351 instituições de ensino que atuam na formação de profissionais médicos. Destas 107 foram reprovadas e apenas 30, (em 351), obtiveram a nota máxima (5).
ANALFABETISMO NA POPULAÇÃO
Segundo o INAF em 2009, o percentual de 28% dos brasileiros era considerado analfabeto funcional.
Em 2026, conseguimos aumentar este percentual para 29%, praticamente 1 em cada 3 brasileiros, que sabem ler uma placa de trânsito, mas não conseguem ler e interpretar um texto como este, quando menos escrevê-lo. Passados 17 anos, estagnamos neste quesito, com evolução zero.
UNIVERSIDADE PARA TODOS
Optamos pela faculdade para todos, mas ignoramos milhões de analfabetos, nos ensina Cristovam Buarque, (Revista Veja, 30/01/26, pág. 29).
Para compensar escolas de base deficientes, os governos criaram mecanismos para abrir as portas das universidades.
Hoje passar pelo crivo de um vestibular não é mais preocupação, basta dispor de 300 reais mensais, e não precisa nem ir todos os dias à faculdade, acessar on-line mesmo, muitas vezes quando e se o aluno puder.
POPULISMO ELEITORAL
Exibe-se o aumento do número de universitários, como se fossem quilômetros de estradas construídas, mesmo em más condições.
Deforma-se o conceito de democracia, ao substituir o direito de todos serem atendidos por um médico qualificado pela ilusão de que todos podem ter um diploma de médico.
MÉRITO INTELECTUAL
Mérito intelectual não é privilégio, e sim o reconhecimento de talento, vocação e persistência. Foi-se o tempo, do qual eu fiz parte, onde se trabalhava de dia para pagar seus estudos a noite. Agora, em mais uma tentativa errônea, tenta-se pagar para o aluno frequentar a escola.
O fechamento de cursos de medicina desperta o risco de médicos despreparados. Mas continuamos com enfermeiros que não sabem ler a bula do remédio, jornalistas que não sabem escrever adequadamente, engenheiros que não A conhecem os fundamentos da matemática.
Resolver este quadro demanda muitos anos, temos outras mazelas, com a de que atualmente 90 milhões de brasileiros, (43% da população) vivem sem coleta de esgoto e incríveis 30 milhões sem acesso à água potável.
O aumento da pobreza está diretamente ligado à deficiência na educação e formação profissional.
A solução para evitar profissionais despreparados e começar a reverter este quadro, é de longo prazo, no mínimo 10 a 20 anos, sendo preciso assegurar educação de base com qualidade, garantindo a todos acesso a escolas com o padrão elevado a exemplo de algumas poucas instituições públicas federais.
