Opinião

A AUTONOMIA DO MAIS JOVEM ESTADO DO BRASIL

Foto de Dr. Hyaggo Arruda

No dia 18 de março, comemora-se o ‘Dia da Autonomia do Tocantins’, uma data que rememora a luta histórica, política e social pela criação do Estado. Esse movimento não surgiu de forma recente, mas remonta ao século XIX, quando Joaquim Teotônio Segurado já defendia a autonomia da então Comarca do Norte de Goiás, diante das dificuldades administrativas e do abandono estrutural da região.

 

A criação do Estado do Tocantins se deu por meio de diversos movimentos históricos, sociais e políticos, como a atuação da Casa do Estudante do Norte Goiano e a liderança política de José Wilson Siqueira Campos, culminando, de forma definitiva, na promulgação da Constituição Federal de 1988, que consolidou o sonho de autonomia de toda uma região.

 

Entretanto, é preocupante que, mesmo após mais de 30 anos de sua criação — amplamente respaldada pela vontade popular —, ainda existam setores da política nacional que ousam defender a reunificação do Tocantins ao Estado de Goiás. Tal posicionamento não apenas ignora todo o processo, como também representa um desrespeito à identidade do povo tocantinense, construída com base em lutas, desafios e conquistas próprias.

 

As críticas relacionadas às sucessivas problemáticas jurídicas envolvendo cargos do Executivo, bem como à dependência de repasses federais, não podem servir como justificativa para retrocessos institucionais dessa magnitude. Tais questões possuem caminhos próprios de solução, como a revisão do pacto federativo e o aprimoramento da gestão pública, não sendo razoável atribuir à autonomia do Estado a responsabilidade por tais entraves. Ademais, não há interesse legítimo de outras unidades da Federação em qualquer proposta de reunificação, o que reforça ainda mais o caráter infundado dessas ideias.

 

Por outro lado, é necessário reconhecer que o Tocantins ainda precisa avançar significativamente em sua estrutura econômica. A atração de indústrias, o fortalecimento do comércio e a criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo são medidas essenciais para garantir maior independência financeira e sustentabilidade ao estado.

 

Outro ponto ainda pouco explorado é o turismo. O Tocantins possui enorme potencial no ecoturismo, com riquezas naturais únicas e de grande valor estratégico. No entanto, há uma evidente carência de profissionalização na atuação das secretarias municipais de turismo, além de limitações na estrutura da rede hoteleira, que muitas vezes não está devidamente inserida em plataformas digitais de reserva. Soma-se a isso a baixa oferta em plataformas de locação alternativa, como o Airbnb, o que dificulta o acesso de turistas e limita o crescimento do setor.

 

Dessa forma, ampliar a autonomia do Tocantins passa não apenas pela defesa de sua existência enquanto ente federativo, mas também pela capacidade de se reinventar economicamente, estruturar melhor seus setores estratégicos e valorizar suas potencialidades.

 

O 18 de março, portanto, deve ser mais do que uma celebração: deve ser um chamado à responsabilidade coletiva de fortalecer o Tocantins, respeitar sua história e construir um futuro cada vez mais autônomo, próspero e digno de sua trajetória.

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