Todo novo governo começa cercado de expectativas. Mas alguns começam também com sinais capazes de revelar um pouco sobre o futuro da gestão. Ao anunciar nessa semana que passou, boa parte dos nomes que formarão seu primeiro escalão, o governador eleito Vicentinho Júnior (PSDB) apresentou sinais do modelo de gestão que pretende implementar no Tocantins. A frase escolhida para marcar o momento foi direta: "O Tocantins tem pressa".
Mais do que um slogan, a declaração estabelece uma expectativa. A população espera respostas para problemas históricos e o novo governo precisará transformar discurso em resultados.
A composição da equipe apresenta um sinal positivo: a tentativa de equilibrar experiência política e capacidade técnica. A combinação entre secretários e executivos com perfis complementares pode fortalecer a articulação institucional e a eficiência administrativa. O desafio será garantir unidade, evitar disputas internas e assegurar que as decisões saiam do papel.
Outro aspecto relevante é a presença de representantes de diferentes regiões do estado. No Tocantins, governar exige compreender as particularidades do interior, onde muitas comunidades ainda convivem com dificuldades de acesso a serviços públicos e investimentos. Representatividade regional precisa significar participação nas decisões e resultados concretos.
As prioridades anunciadas também dialogam com as principais demandas da população: ampliação da estrutura hospitalar, redução das filas de cirurgias, fortalecimento dos hospitais regionais, atendimento 24 horas nas Delegacias da Mulher e melhorias na infraestrutura das escolas.
Merece destaque, ainda, a criação da Secretaria de Proteção e Bem-Estar Animal. A iniciativa reconhece a importância de uma pauta da qual eu me identifico e que mobiliza organizações, protetores independentes e milhares de cidadãos.
Na área fiscal, a orientação para reduzir despesas desnecessárias e o pedido de fiscalização preventiva ao Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) sinalizam preocupação com transparência e responsabilidade na utilização dos recursos públicos.
Naturalmente, anúncios não são realizações. A verdadeira avaliação começará quando as propostas encontrarem a realidade dos municípios, dos hospitais, das escolas e das estradas.
Na minha opinião, Vicentinho Júnior começa com sinais positivos de organização política, diversidade regional e definição de prioridades. O desafio agora é transformar essas escolhas em um governo eficiente, próximo das pessoas e comprometido com o desenvolvimento do estado.
A posse, em janeiro de 2027, marcará o início de um novo ciclo. Que a pressa venha acompanhada de planejamento, que as boas escolhas se transformem em grandes realizações e que a esperança de um Tocantins melhor deixe de ser expectativa para se tornar realidade. Afinal, mais do que um novo governo, o estado merece um novo horizonte de oportunidades.
