Opinião

QUEM ESTÁ CONTROLANDO O SEU VOTO NESTE ANO DE 2026?

Foto de Fernando Henrique Freire Machado

A política mudou, e a forma de tentar manipular o eleitor também. Desde pequeno sou fascinado em campanhas eleitorais e no marketing envolvido nas eleições. Jingles, frases, slogans e discursos bem elaborados podem facilitar a posse.

 

As antigas mentiras eleitorais, aquelas malfeitas e fáceis de perceber, ficaram para trás. Em 2026, a desinformação ganhou inteligência artificial, velocidade e aparência de verdade. Hoje, qualquer grupo político organizado consegue criar vídeos, áudios e imagens falsos quase impossíveis de distinguir da realidade. São os chamados deepfakes: conteúdos fabricados com a voz, o rosto e os trejeitos perfeitos de alguém que nunca disse aquilo.

 

E o mais perigoso não é a tecnologia em si. É a estratégia por trás dela.

 

A mentira moderna não precisa mais convencer milhões de pessoas ao mesmo tempo. Ela é personalizada. Um trabalhador recebe um vídeo dizendo que determinado candidato vai acabar com empregos. Um empresário recebe outro, completamente diferente, prometendo redução de impostos. Um religioso recebe um conteúdo apelando para medo moral. Cada grupo passa a viver dentro da própria bolha emocional, alimentada por mensagens feitas sob medida para provocar raiva, medo ou esperança.

 

Essa nova propaganda não invade apenas a televisão ou os debates políticos. Ela entra silenciosamente no lugar mais íntimo da vida das pessoas: o celular. Chega pelo WhatsApp, Instagram, TikTok e grupos de amigos e família. E justamente porque veio de alguém conhecido, muita gente baixa a guarda e acredita sem questionar.

 

Enquanto autoridades eleitorais tentam criar regras para conter esse cenário, a tecnologia evolui em ritmo muito mais rápido. Hoje, manipular emoções custa barato. Influenciar opiniões nunca foi tão simples. E transformar cidadãos em massa de manobra virou um negócio extremamente eficiente.

 

O risco das eleições de 2026 não está apenas em quem vai vencer ou perder. O verdadeiro risco é o eleitor deixar de decidir por conta própria.

 

Porque quando uma mentira bem-produzida controla a sua indignação, o seu medo ou a sua esperança, o voto continua sendo digitado por você, mas a escolha já foi feita por poderosos com interesses nada republicanos.

 

A democracia depende de cidadãos conscientes, não de pessoas emocionalmente manipuladas por algoritmos.

 

Dias atrás eu mesmo caí ao compartilhar um vídeo do jornalista Alexandre Garcia totalmente manipulado pela IA. Meu próprio irmão me alertou. Isso é muito sério.

 

Em 2026, compartilhar sem verificar deixou de ser apenas descuido; virou combustível para campanhas de manipulação em massa. Não importa sua profissão, sua idade ou seu lado político: ninguém está imune a uma mentira bem construída.

 

Antes de acreditar em um vídeo chocante, em um áudio revoltante ou em uma manchete feita para causar pânico, faça uma pausa. Pesquise. Compare fontes. Questione quem ganha com aquilo chegando até você.

 

Porque o maior poder de uma mentira política não está com quem a cria, está em quem espalha sem pensar.

 

E numa eleição marcada pela inteligência artificial, proteger o seu voto talvez seja menos sobre escolher um candidato e mais sobre defender a sua capacidade de distinguir verdade de manipulação. Pense nisso.

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