A esquerda está em estado de graça, quase em transe, com a "bombástica" revelação das ligações perigosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Mas acalmem-se: o jogo mal começou.
Os esquerdistas, especialmente alguns setores da imprensa, festejam a revelação dos áudios de Flávio como se tivessem encontrado o pote de ouro no fim do arco-íris. Compreende-se o delírio; afinal, o pessimismo era a regra até ontem. Estão tão desesperados que até o "bolsa-blusinha" (aquela isenção eleitoreira de última hora) virou motivo de comemoração nas sondagens. Contudo, é bom esperar o sol do meio-dia aqui do Tocantins baixar para ver se esse entusiasmo resiste à poeira da realidade nas próximas pesquisas.
O que surgiu até agora é grave? Inegavelmente. Mas a política brasileira é repleta de narrativas. Meteram a desculpa de que os valores eram para o filme do Mito, e não para o enriquecimento da família em troca de favores. Já que a produtora do filme declarou que não recebeu dinheiro do banqueiro. Convenhamos, é uma criatividade digna de roteirista de ficção falar que todo dinheiro foi para o filme. Na época dos pedidos, Vorcaro já era investigado, seu dinheiro sempre foi sujo.
Os lulistas eufóricos ainda se apegam à anulação do processo pelo qual Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro para vender a ideia de que o seu líder é alma mais honesta do mundo. Esquecem que, para mais da metade do Brasil, a imagem predominante não é imaculada, mas a daquela faixa censurada mês passado no interior de São Paulo que a PF correu para recolher. Aquela memória é mais resistente que tronco de aroeira, não apodrece e nem se dobra por qualquer vento.
A direita ainda tem motivos para acreditar na vitória. Se não for com o "01", será com outro. Enquanto Romeu Zema detona com o bolsonarismo com a delicadeza de um elefante em loja de cristais, chamando tudo de "tapa na cara", Ronaldo Caiado joga o jogo dos adultos. Com a calma de quem observa o Rio Araguaia, Caiado soltou uma nota calculada: quer explicações, mas não quer divisão. Ele sabe que a única forma de derrotar o PT no segundo turno é manter a tropa unida, sem picuinhas de vaidade.
O jogo não acabou, esquerdistas. Vocês podem estar rindo agora, mas na política, quem ri por último geralmente é quem guardou o melhor trunfo para o final. Aqui no Norte, a gente sabe: não se comemora a colheita antes de passar a colheitadeira. O jogo realmente apenas começou.
