Refletindo sobre a audiência pública realizada nesta quarta-feira, 28 de outubro, na Câmara de Vereadores de Guaraí, fica uma pergunta: o debate realmente esclareceu os servidores sobre os impactos dos projetos de reforma previdenciária?
Na minha avaliação, Câmara e Executivo não conseguiram apresentar sequer 10% dos esclarecimentos técnicos, jurídicos e atuariais que tivemos acesso durante as duas assembleias promovidas pelo GUARAÍ-PREV anteriormente. A diferença na profundidade das informações foi significativa, especialmente considerando que estamos discutindo mudanças que podem afetar diretamente a vida de centenas de servidores e suas famílias.
Trouxeram um representante técnico de uma instituição de renome nacional, mas sua apresentação me pareceu limitada diante da complexidade dos Projetos de Lei Complementar nº 08/2026 e nº 09/2026. A impressão que ficou foi de uma exposição concentrada nos aspectos favoráveis às propostas, sem o aprofundamento necessário sobre seus possíveis impactos.
E o que dizer das ausências? Cinco vereadores não compareceram. Enquanto a audiência acontecia, um deles chegou a publicar em seu perfil no Instagram imagens de uma piscina e peças de picanha espalhadas sobre a mesa, mas depois, decidiu apagar. A prefeita deixou o local antes dos debates, enquanto secretários municipais presentes não fizeram uso da palavra. Um deles, ao ser questionado por servidores sobre a possibilidade de retirada dos projetos de pauta, sinalizou negativamente, mas por meio de um gesto.
O que mais preocupa é a relação entre a independência do Legislativo e as propostas encaminhadas pelo Executivo. Os vereadores foram eleitos para representar a população, fiscalizar a administração e analisar projetos com autonomia. Quando essa independência não fica evidente em discussões de tamanha importância, surgem questionamentos legítimos sobre o espaço reservado às reivindicações dos servidores.
Não se trata de negar a necessidade de reformas previdenciárias, aliás, isso é consenso entre todos. Trata-se de exigir transparência, estudos consistentes, respeito à legislação vigente e participação efetiva daqueles que serão atingidos pelas mudanças. Afinal, se as propostas são tecnicamente fundamentadas e necessárias, por que não ampliar o debate e esclarecer cada um dos seus impactos? Qual o medo disso? Por que tanta pressa?
A audiência terminou, mas as perguntas permanecem. Cabe aos representantes públicos demonstrar, com atitudes e decisões transparentes, a quem estão prestando contas de seus mandatos, se ao povo ou ao poder vizinho. E cabe à sociedade acompanhar, cobrar explicações e avaliar a atuação de cada representante, inclusive nas eleições municipais de 2028. Quem se omite não merece mais ser votado!
