Opinião

ENTRE LULA E BOLSONARO, EXISTE QUEM NÃO ESCOLHA NENHUM DOS DOIS

Foto de Giovana Evangelista da Silva

Em um cenário político cada vez mais dividido entre Lula e Bolsonaro, existe uma terceira posição que também merece ser ouvida: a de quem não escolhe nenhum dos dois. Não necessariamente por falta de interesse pela política, mas justamente por acreditar que o problema é maior do que um único nome.

 

Há quem enxergue a política como uma disputa entre “um lado certo” e “um lado errado”. Outros preferem olhar para além dos partidos e dos políticos. Afinal, trocar o governante não significa, automaticamente, trocar a estrutura que permite que abusos de poder, corrupção e interesses pessoais continuem existindo.

 

Existe uma frase conhecida que resume essa desconfiança: “O poder corrompe.” Embora nem toda pessoa que chega ao poder necessariamente se torne corrupta, o poder pode criar oportunidades para abusos quando não existem fiscalização, transparência e instituições fortes. O problema, portanto, não está apenas em quem ocupa a cadeira, mas também na maneira como essa cadeira é ocupada e fiscalizada.

 

É por isso que reduzir a política brasileira a “Lula ou Bolsonaro” pode ser uma simplificação perigosa. Um cidadão não precisa ser lulista, bolsonarista ou defensor de qualquer outro político para participar da democracia. É possível discordar de todos, reconhecer acertos e erros de diferentes governos e, principalmente, cobrar resultados independentemente de quem esteja no poder.

 

Também é preciso ter cuidado com a ideia de que “todos que entram irão roubar”. A indignação com a corrupção é legítima, mas transformar uma desconfiança em certeza sobre todas as pessoas pode acabar produzindo justamente o efeito contrário: o cidadão deixa de cobrar e passa a acreditar que nada pode mudar.

 

E talvez esse seja um dos maiores perigos. Quando a população acredita que “todos são iguais” e que “não adianta votar”, ela pode deixar de acompanhar gastos públicos, denunciar irregularidades, cobrar políticos e participar das decisões que afetam sua própria vida.

 

A política não deveria ser uma torcida organizada. Político não é ídolo, muito menos alguém acima de críticas. Seja Lula, Bolsonaro ou qualquer outro nome, quem ocupa um cargo público deve ser tratado como servidor da sociedade, e não como dono do país.

 

Talvez a verdadeira mudança não esteja em encontrar o político perfeito, porque ele provavelmente não existe. Talvez esteja em construir uma sociedade que não entregue poder absoluto a ninguém e que não aceite corrupção simplesmente porque o corrupto pertence ao “nosso lado”.

 

No fim, escolher nenhum deles também pode ser uma posição política. Significa dizer: não quero defender pessoas; quero defender princípios.

 

Porque o problema da política não começa quando alguém coloca a mão na urna. Ele começa quando o cidadão deixa de questionar aquilo que acontece depois que o voto é depositado.

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