Já tem um tempo que eu não escrevo nesse renomado espaço, mas ontem eu vi um discurso que muito me incomodou.
A Assembleia Geral da ONU deveria ser um espaço de diplomacia, diálogo e defesa dos interesses nacionais. É ali que grandes países apresentam suas posições, constroem alianças e buscam oportunidades para seus cidadãos.
No entanto, quando um governo transforma esse espaço em palco de disputas ideológicas e confronto político, o discurso pode deixar de servir aos interesses econômicos do próprio país.
O Brasil é uma das maiores economias agrícolas do mundo e precisa manter relações comerciais amplas e equilibradas. Não basta defender a soberania nacional; é necessário transformar essa soberania em oportunidades, investimentos, mercados e empregos.
Um país que pretende crescer não pode escolher entre parceiros com base apenas em afinidades ideológicas.
A política externa brasileira precisa olhar para aquilo que acontece fora dos palácios e das salas diplomáticas. Precisa olhar para o produtor rural, para o empresário, para o trabalhador e para os estados que dependem das exportações.
É nesse ponto que o Tocantins entra diretamente nessa discussão.
Nosso estado tem uma economia cada vez mais ligada ao agronegócio, à produção de grãos, à pecuária e à logística. Sua posição geográfica também oferece enorme potencial para se tornar um corredor estratégico de escoamento da produção brasileira.
Mas esse potencial depende de investimentos, infraestrutura, acesso a mercados e confiança de investidores.
Quando o Brasil transmite ao exterior uma imagem de conflito permanente, quem sente os efeitos pode estar muito distante de Brasília.
Um produtor de soja, um pecuarista, uma transportadora ou uma empresa que pretende investir em armazenagem e logística não vive de discursos. Precisa de mercado, crédito, infraestrutura e previsibilidade.
O Tocantins ainda tem grandes desafios pela frente.
A melhoria das rodovias, a expansão da infraestrutura ferroviária, o fortalecimento da logística e a ampliação da capacidade de escoamento da produção são fundamentais para que o estado aproveite plenamente seu potencial.
Tudo isso exige capital e parcerias, inclusive internacionais.
Por isso, a diplomacia brasileira deveria funcionar também como instrumento de desenvolvimento.
Cada viagem presidencial, cada encontro internacional e cada discurso na ONU deveria ser aproveitado para abrir portas, atrair investimentos e ampliar mercados para os produtos brasileiros.
Defender os interesses nacionais não significa transformar parceiros em adversários.
Soberania não é isolamento.
Um país soberano é aquele que tem capacidade de negociar com diferentes nações, preservar sua autonomia e, ao mesmo tempo, buscar aquilo que traz benefícios concretos para sua população.
O Brasil não precisa escolher entre Estados Unidos, Europa, Ásia ou outras regiões do mundo.
Precisa negociar com todos e defender seus interesses em cada mesa. Quanto maior a diversidade de parceiros comerciais, maior também a capacidade de enfrentar crises e proteger sua economia.
Para o Tocantins, essa questão é ainda mais importante.
Um estado que pretende se consolidar como uma potência agrícola e logística precisa estar conectado ao mundo. Precisa de compradores para sua produção, investidores para sua infraestrutura e empresas dispostas a apostar em seu futuro.
A política externa, portanto, não deveria ser tratada apenas como uma disputa entre grupos políticos.
Ela tem consequências econômicas concretas.
Uma decisão diplomática pode influenciar investimentos, acordos comerciais, exportações e oportunidades de trabalho.
No fim das contas, soberania não se mede pelo tom mais alto de um discurso, nem pela quantidade de adversários que um governo consegue criar.
Mede-se pela capacidade de defender os interesses do país, ampliar suas oportunidades e melhorar a vida da população.
