O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do empresário Adair Gonçalves, acusado de matar Míria Mendes Sousa Lima, de 19 anos, desaparecida desde agosto de 2023 em Guaraí. A decisão foi proferida pelo ministro Rogerio Schietti, que negou recurso apresentado pela defesa contra a manutenção da custódia. Adair está preso preventivamente desde 18 de março do ano passado e foi pronunciado por feminicídio, ocultação de cadáver e ameaça. A decisão determina que o processo seja levado ao Tribunal do Júri.

 

A defesa argumentou, entre outros pontos, que o Ministério Público do Estado do Tocantins (MPE/TO) havia se manifestado pela revogação da prisão preventiva e pela aplicação de medidas cautelares. No STJ, porém, o Ministério Público Federal (MPF) opinou pela rejeição do recurso. Ao analisar o caso, Schietti afirmou que a manifestação favorável à liberdade deve ser considerada pelo magistrado, mas não obriga a Justiça a revogar uma prisão já decretada quando permanecem fundamentos considerados suficientes para a medida.

 

Na decisão, o ministro citou elementos registrados pelas instâncias inferiores. Segundo o processo, após o desaparecimento de Míria, o acusado teria transferido valores da conta bancária da jovem para a própria conta, enquanto o celular dela teria passado a ser utilizado por sua nova companheira. Também consta o relato de uma ex-companheira que afirmou ter recebido ameaças de morte. Para o STJ, esses elementos apontam riscos relacionados à instrução criminal e à ordem pública, justificando a continuidade da prisão preventiva.

 

Míria desapareceu em 18 de agosto de 2023 e seu corpo nunca foi localizado. A Polícia Civil concluiu o inquérito apontando que a jovem teria sido morta pelo então companheiro e trabalhou com a hipótese de que o corpo tenha sido incinerado na fornalha de uma cerâmica pertencente ao acusado, periciada em abril de 2025. Na investigação, Adair foi indiciado por tortura, estupro, tentativa de feminicídio, feminicídio consumado e ocultação de cadáver. Já no processo que irá a júri, ele foi pronunciado por feminicídio, ocultação de cadáver e ameaça.