Há um momento em que o Tocantins e o Brasil mudam de ritmo. As conversas deixam de girar apenas em torno da rotina, os encontros se tornam mais frequentes, as lideranças se movimentam e as ruas passam a respirar política. Esse momento começa com as convenções partidárias, que marcam oficialmente o início de mais um ciclo eleitoral e devolvem ao cidadão o protagonismo da democracia.
Existe um velho e equivocado ditado segundo o qual política não se discute. Nunca concordei com essa ideia. Política deve, sim, ser discutida, com respeito, argumentos e responsabilidade. O silêncio interessa apenas aos maus políticos. Já o debate fortalece a democracia, amplia a participação popular e obriga quem exerce o poder a prestar contas de seus atos.
Talvez eu pense assim por que acompanho a vida pública há muitos anos. Desde os tempos da faculdade de Direito, em Goiás, cultivo o hábito de observar eleições, analisar governos e escrever sobre política. O interesse pelo tema nunca foi apenas acadêmico; tornou-se uma convicção de vida. Aprendi cedo que as decisões políticas não permanecem restritas aos gabinetes. Elas chegam ao hospital onde buscamos atendimento, à escola onde estudam nossos filhos, às estradas que percorremos diariamente e às oportunidades de trabalho que surgem, ou desaparecem.
Por isso, confesso sem qualquer constrangimento: gosto de período eleitoral, aliás, gosto muito. Enquanto muitos enxergam apenas disputas e conflitos, vejo uma oportunidade de renovação democrática. A cada dois anos, o eleitor brasileiro volta a ocupar o centro das decisões, lembrando aos governantes que o poder não lhes pertence. Em uma República, o mandato é temporário; permanente é apenas a soberania popular.
No Tocantins, esse processo possui características próprias. Diferentemente dos grandes centros, onde a política muitas vezes acontece à distância, aqui ela continua sendo feita no contato direto. Os candidatos visitam bairros, percorrem feiras, entram nos pequenos comércios, conversam nas calçadas e participam de reuniões comunitárias. Há uma proximidade entre representantes e representados que precisa ser preservada, pois aproxima a política da realidade das pessoas.
Naturalmente, nem tudo são virtudes. As eleições também revelam seus excessos. Promessas impossíveis reaparecem como se fossem soluções simples para problemas históricos. Discursos inflamados substituem propostas consistentes. Em alguns momentos, adversários passam a ser tratados como inimigos, e o debate cede espaço à ofensa. Essa é uma armadilha perigosa. Democracias não se fortalecem pelo ódio ou polarização, mas pela capacidade de conviver com opiniões diferentes.
É justamente por isso que o entusiasmo das campanhas deve caminhar ao lado do senso crítico. Antes de confiar o voto a qualquer candidato, vale a pena conhecer sua história, observar sua conduta, verificar suas realizações e perguntar se aquilo que promete é realmente possível. Governar exige responsabilidade administrativa, respeito às leis e compromisso com a verdade. Não existem soluções mágicas para desafios complexos.
O eleitor consciente também deve observar o comportamento daqueles que disputam cargos públicos. Quem apresenta propostas demonstra preparo. Quem dedica a maior parte do tempo a atacar adversários costuma revelar pobreza de ideias. A política precisa recuperar o espaço da argumentação, da civilidade e da construção de consensos, sem renunciar às divergências naturais que caracterizam qualquer sociedade democrática.
Escrevo sobre política porque continuo acreditando que a democracia é a maior conquista da nossa vida republicana. Ela não depende apenas de eleições livres ou de instituições sólidas. Depende, sobretudo, da participação ativa de cidadãos que acompanham, fiscalizam, questionam e cobram resultados daqueles que escolheram para representá-los.
Que as ruas do Tocantins permaneçam cheias durante esta campanha, não apenas de bandeiras e jingles, mas de diálogo, reflexão e espírito público. Que as convenções partidárias sejam o ponto de partida para um debate qualificado sobre os desafios do nosso estado. E que, quando as urnas forem abertas, prevaleça não o marketing mais eficiente nem o discurso mais barulhento, mas a escolha consciente de um povo que compreende que a democracia não é um evento de calendário. É uma construção permanente, sustentada pela liberdade, pela responsabilidade e pela coragem de participar.
