
"Te meto uma bala na cara", essa frase saiu da boca do Advogado Igor Gustavo Veloso, à época, amplamente divulgada na imprensa, quando a mãe de seu filho veio a público falar das violências sofridas.
A bala não atingiu Sabrina Feitosa, mas ao que tudo indica, o ódio alcançou quem menos merecia sofrer, o fruto da relação vivida entre os genitores.
Gustavo Veloso Feitosa, esse é um daqueles casos com tantas camadas que não há dissertação capaz de dissecá-lo por completo. Uma infância interrompida no alto de seus três anos.
Não foi mais um caso de bala perdida, de sequestro ou desnutrição, foi, segundo o que aponta o laudo médico, fruto de uma ação que por si só, já é abjeta, vil, dessas que costumamos ver em narrativas de Ullisses Cambell, mas que agora ocorreu bem próximo de todos nós e ao que tudo indica, perpetrada por quem tinha a obrigação de cuidar.
O caso, não sei se os senhores concordam, mas me parece uma tragédia que já vinha se desenhando, ganhando contornos em tons de um carmim funesto e isso vimos em um pretérito não tão distante, quando veio à tona as ameaças do genitor, ora investigado por essa barbárie, em face da mãe do pequeno Gustavo.
Igor Gustavo Veloso estava com a criança desde o domingo cedo, e ao que tudo indica, só registrou o boletim de ocorrência na segunda-feira, horas depois do óbito, os motivos, somente o curso do processo irá aclarar, mas o fato é que, límpido está que a hipótese de afogamento, alegada pelo pai, parece estar descartada.
Tudo parece nebuloso e sem uma linha aparente de explicação lógica e plausível. Mas, respeitamos o contraditório e a ampla defesa, até mesmo porque, nada será capaz de trazer de volta o pequeno Gustavo, e o mais doloroso, ele não foi a única vítima, por aqui morreu também uma mãe, essa jamais será capaz de voltar à normalidade, porque a bala prometida lhe atingiu e lhe furtou a vida, deixando em seu lugar um espaço de dor, questionamentos que jamais serão respondidos e uma ferida para sempre aberta.
Gustavo Morreu quando estava sob a guarda de quem lhe devia uma única coisa: Amor! Mas o amor é muito, para quem se negava a honrar até mesmo com os alimentos.
Muitos de nós sequer conhecíamos os envolvidos, mas, todos sentimos a dor, porque felizmente há algo que ainda nos une, o sentimento de que filhos são sagrados.
Que o curso do processo deixe claro todos os caminhos dessa barbárie, e que a justiça, em sua forma mais plena, seja feita.
