Opinião

PROFESSOR: A PROFISSÃO QUE FORMA TODAS AS OUTRAS

Foto de Júlio Ibiapina

Não existe profissão que não passe pelas mãos de um professor. Afinal, é o professor quem alfabetiza, ensina, lapida talentos, transforma projetos de vida em realidade e prepara cidadãos para o mercado de trabalho. Entretanto, essa missão se torna ainda mais desafiadora quando consideramos que nem todos os alunos iniciam sua trajetória educacional nas mesmas condições. Como aborda Clóvis de Barros Filho ao tratar da “surra” inicial da vida, enquanto alguns nascem cercados de oportunidades, como escolas caras, psicólogos, professores particulares, intercâmbios estudantis e viagens internacionais, outros enfrentam condições extremamente precárias desde o berço.

 

Assim, embora compartilhem o mesmo ecossistema social, os indivíduos partem de pontos distintos: enquanto poucos já nascem em vantagem, muitos precisam superar inúmeras barreiras para alcançar oportunidades semelhantes. Consequentemente, essa desigualdade de origem faz com que alguns larguem muito à frente, enquanto outros precisam superar obstáculos enormes para alcançar as mesmas oportunidades. É justamente nesse cenário que o professor se torna ainda mais essencial, pois amplia horizontes, identifica talentos, estimula o pensamento crítico e contribui para transformar realidades.

 

Todavia, não podemos atribuir exclusivamente ao professor a responsabilidade de corrigir essas desigualdades. Essa missão também exige políticas públicas efetivas, investimentos consistentes e o compromisso de toda a sociedade com uma educação de qualidade.

 

Nesse sentido, causa profunda reflexão o fato de que um país precise recorrer à Justiça para discutir o cumprimento do mínimo estabelecido por lei para a remuneração de seus professores. Afinal, se aqueles que contribuem para a formação de todos os demais profissionais não recebem a devida valorização, que futuro podemos esperar para a educação? Valorizar o professor, portanto, não deve ser apenas uma promessa política ou uma manifestação simbólica em datas comemorativas, mas um compromisso efetivo com aqueles que sustentam, diariamente, o processo de formação das novas gerações.

 

Além disso, é fundamental compreender que não basta defender a igualdade de oportunidades sem assegurar a equidade necessária para que todos possam aprender e se desenvolver. Enquanto a igualdade pressupõe oferecer as mesmas oportunidades, a equidade reconhece que as pessoas possuem necessidades e condições de partida diferentes, exigindo medidas capazes de reduzir essas disparidades. Em outras palavras, para que todos tenham condições reais de progredir, é preciso reconhecer as desigualdades existentes e criar mecanismos que permitam superá-las.

 

Portanto, valorizar o professor não é favor, gasto desnecessário ou discurso passageiro. É um compromisso com a educação, com a justiça social e com a construção de um país menos desigual. Isso implica reconhecer que a qualidade do ensino depende não apenas da dedicação dos professores, mas também das condições que lhes são oferecidas para exercer sua profissão com dignidade e alcançar os resultados que a sociedade espera.

 

Afinal, o talento pode nascer em qualquer lugar, mas as oportunidades não chegam da mesma forma para todos. Por isso, uma educação verdadeiramente transformadora precisa reconhecer as desigualdades de origem, valorizar os profissionais que fazem o ensino acontecer e garantir condições reais para que cada estudante desenvolva seu potencial. Somente assim a educação poderá cumprir plenamente seu papel de instrumento de emancipação, mobilidade social e transformação do país.

 

Feliz Dia do Professor!

15 de outubro de 2026

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