Este é o país da contradição.
A imprensa, corretamente, cobra transparência plena dos governos, das instituições e de todos em geral.
Existe uma máxima segundo a qual todo “bom” jornalista deve estar cercado de fontes informativas em todos os governos e em todas as instituições.
Os jornalistas afirmam, com galhardia, que obtiveram informações de gente próxima, de pessoas do meio, de gente influente ou de pessoas com acesso a determinadas autoridades ou a figuras de destaque. Tudo é apresentado numa abstração completa. Nunca dizem quem são essas pessoas, qual é o papel que desempenham naquele meio ou instituição nem de que forma têm acesso às informações.
Outra contradição, ainda mais evidente, ocorre quando os jornalistas afirmam que determinado documento é sigiloso, mas que uma emissora teve acesso exclusivo a ele. Nunca se sabe quem o repassou, embora seja evidente que a informação veio de alguma fonte.
Nos programas de televisão, é muito comum os jornalistas se vangloriarem de noticiar acontecimentos com base em informações obtidas de suas fontes.
Assim, a transparência tão defendida é exigida de todos os outros, mas não das chamadas fontes.
E o que seria uma fonte? Seria alguém que tem acesso a informações privadas ou restritas em razão do vínculo com determinada instituição, órgão, autoridade ou governo e que as repassa a jornalistas de sua preferência, sabe-se lá por quê. São informações que, em princípio, não deveriam ser tornadas públicas nem repassadas a terceiros. Caso contrário, os próprios jornalistas poderiam obtê-las diretamente.
Por essa lógica, a transparência é relevante, necessária e defendida para todos, menos para as fontes. Nesse ponto, surgem as explicações para justificar essas diferenças, que parecem existir apenas quando convém à defesa dos próprios interesses. Em períodos eleitorais, as fontes trabalham bem mais.
