O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPE/TO) solicitou que o julgamento do empresário Adair Gonçalves de Oliveira, de 54 anos, acusado de matar Míria Mendes Sousa Lima, de 19 anos, seja transferido de Guaraí para Palmas. A preocupação envolve a influência atribuída ao réu no município, o que poderia comprometer a imparcialidade dos jurados e a segurança das testemunhas.
Míria desapareceu no dia 18 de agosto de 2023, em Guaraí, e até hoje não foi localizada. Segundo a Polícia Civil, a jovem teria sido assassinada pelo então companheiro, que também é suspeito de incinerar seus restos mortais na fornalha de uma cerâmica que era de sua propriedade. As investigações apontaram um histórico de violência física, psicológica e sexual contra a vítima.
O pedido é conhecido como ‘desaforamento’, mecanismo previsto na legislação para transferir julgamentos quando existem dúvidas sobre a imparcialidade dos jurados ou riscos à segurança. Adair foi pronunciado por feminicídio, ocultação de cadáver e ameaça, crimes pelos quais deverá responder perante o Tribunal do Júri. Seus advogados já se manifestaram contrários ao pedido em questão.
O réu está preso preventivamente desde março do ano passado e teve sua prisão mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) recentemente. Diante dos apontamentos, a Justiça do Tocantins deverá agora analisar o pedido de transferência do julgamento para a capital Palmas, considerando os receios apresentados pelo MPE/TO. O acusado ainda não foi condenado e nega o crime.
Testemunhas relatam confissão
Segundo testemunhas, Adair teria confessado o assassinato a terceiros e afirmado que sabia ocultar cadáveres sem deixar rastros. O empresário também possui histórico de agressões contra ex-companheiras, incluindo registros de prisões, lembrando que ele comunicou o desaparecimento de Míria à polícia. As investigações também levantaram suspeitas de abuso sexual contra filhas da vítima, fato que poderia estar relacionado à motivação do crime. Há ainda relatos de que Míria teria sido jogada de um carro em movimento pelo acusado.








.jpg&w=3840&q=75)