Lula: enredo de filme


Foto:Arquivo Pessoal - O autor do texto faz uma reflexão da vida do ex-presidente Lula, descrevendo sua história como um enredo de filme.

Publicado em 09/04/2018 10:00 - Categoria: Opnião

Por Danilo Santiago Barbosa.

 

“...Todos os caminhos são iguais

O que leva à glória ou à perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas somente um tem coração...”

 

Parece sob encomenda a música produzida em 1976 ou então deve ter sido um conselho político ao então sindicalista Luís Inácio. O enredo a partir de então, tratou de reproduzir a saga do retirante nordestino, foragido da fome, semianalfabeto, viúvo à primeira vez nos anos 70, preso pelo regime militar, aclamado pelo povo e eleito presidente da república... Por si só, esta obra com alguns retoques de efeitos especiais e seus melodramas, credenciar-se-ia a vencedor do Oscar, com “Raulzito” orquestrando o tema musical. Não obstante, o escritor da obra tratou de dar continuidade ao filme, prendendo à atenção dos telespectadores e dando ares de suspense, reviravoltas e fortíssimas emoções.

 

O ator tão rechaçado ao longo do filme, em sua trajetória política, passa por correções de roteiro, evidenciados na “Carta aos Brasileiros” e, por conseguinte, alcança o posto de presidente da república. Ele fecha acordo com gângsters da política nacional, repetindo o receituário praticado por FHC anos antes, chamado por este sociólogo, como o “pacto com patrimonialismo” ou o popular “presidencialismo de coalizão”, que mais tarde o filme vai tratar de demonstrar que foi um fatal “tiro no pé”, ou melhor: “no peito”.

 

No meio do longa-metragem, fatos e acontecimentos estremecem o comportamento incólume do ator. O “mensalão” atinge seu governo, em 2005. Todavia, a conjuntura nacional lhe era favorável e a máxima que favoreceu Adhemar de Barros, nos anos 50, “rouba, mas faz”, novamente veio à tona, de modo a neutralizar os seus mais ferrenhos adversários e conduzi-lo à vitória eleitoral, no ano seguinte.

 

Nas cenas finais, eis o apogeu do personagem... Tornou-se unânime no cenário político, de tal modo que o público não conseguira identificar explicitamente os vilões da história. Sua aprovação chegara a 87% da população. Não seria tamanha heresia, naquela altura, canonizá-lo. Ou melhor... Instituir mais um lugar na santíssima trindade.

 

Parecia o fim da história, mas o ator abusando da generosidade do público que lhe rendeu salvas, vivas e homenagens, ainda tratou de produzir cenas extras para o making-off... Elegeu sua sucessora. O ator beirou o precipício! Eis que John Dalberg Acton sentiu-se homenageado: “O poder absoluto, corrompe absolutamente”.

 

A seguir, foram cenas de derrocada, problemas de continuidade da produção e erros toscos de encenação. Mas pareceu novela mexicana do que best-seller hollywoodiano. O elenco tratou de responsabilizar as interferências externas e o grande público ficou dividido nas opiniões da crítica especializada. O ator

passou ser incógnita para muitos. Seu heroísmo passou a ser questionado. Freud poderia acusá-lo de transtorno bipolar, mas a verdade é que só o anacronismo histórico daqui alguns anos será capaz de pacificar a sinopse desta obra.

 

Alguns telespectadores o identificam como o grande vilão da história, já outros o comparam a Mandella, Gandhi ou Marthin Luther King. Uns disparam a redenção da justiça, já outros veem sua decadência e a acusam de atuação política. Eis mais “pano pra manga” em outro momento.

 

O certo é que o lulo-petismo ao cabo dos altos e baixos, estaria à prova, em seu juízo final, de outubro de 2018, sob a supremacia do “tribunal do júri”, “tribunal popular”, ou “tribunal da cidadania.” Mas seus algozes usaram de tamanha benevolência, dando oportunidade de o ator escrever as últimas cenas do filme que nunca saíra de cartaz! E mais... Emolduraram o lulo-petismo para posteridade, com “quês” de getulismo, consubstanciados no discurso de entrega que mais estava para “carta testamento”. O ator, enfim descobriu que o “presidencialismo de coalizão” e seus acordos, nada mais é do que uma grande cilada, o que só agora lhe permitiu enxergar os seus verdadeiros “cumpanhêros” e como diz o Rei Roberto Carlos, ”amigo de fé e irmão camarada” dos tempos de Vila Euclides no ABC Paulista.

 

Por fim, a música de Raul Seixas sinaliza para dois caminhos: o da glória e o da perdição. Eis um enredo em frenética construção, mas o autor de forma pragmática se mantém no caminho do coração, atacando os sentimentos passionais de ambos os lados, arrebatando críticas e aplausos, amores e ódios e como diz meu pai Antonio Barbosa: “O tempo é o dono da razão!”

 

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Danilo Santiago Barbosa é Agente Penitenciário do quadro efetivo do Estado do Tocantins, cursou Ciências Contábeis na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e atualmente é acadêmico do curso de Direito da Faculdade de Guaraí (IESC/FAG). E-mail: danilo.contabeis@mail.uft.edu.br.

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