Enem: o povo surdo e mudo


Foto: Aquivo pessoal - O professor Marcos André Silva Oliveira faz uma análise crítica sobre o tema da redação do ENEM 2017.

Publicado em 06/11/2017 08:22 - Categoria: Opnião

Por Marcos André Silva Oliveira.

 

Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, então, o tema da redação do Enem de 2017 tem levantando críticas de lados que nem existem, os impropérios são os mais variados possíveis e na turba de críticos temos todos e mais alguns: estudantes, pais, professores, e até quem pouco se interessa por educação está opinando, isso revela a beleza do estado democrático de direito, que a maioria das pessoas nem ao menos sabem o que significa, mas usam como forma de revelar uma riqueza intelectual que a maioria infelizmente não possuem.

 

Calma, segure suas inquietas mãos, antes de iniciar críticas desmensuradas a quem vos escreve, saibam todos, eu de fato me frustro na condição de educador de alunos do ensino médio, quando percebo o espanto que os temas, sejam eles quais forem causam em uma maioria esmagadora de meus alunos e por consequência nos alunos de um Brasil que habituou-se a pouco ler, a quase nada escrever e estudar de fato, nem vou entrar no mérito.

 

Uma fatia expressiva, ao menos foi o que eu presenciei em sala de aula apostava em algo ligado as questões de gênero, eu também cheguei a acreditar que esse tema tivesse lá suas possibilidades de ser abordado, embora, tenha deixado claro que acreditasse, que além dele, talvez fosse qualquer outro ligado aos Direitos Humanos, o que de fato ocorreu, afinal, inclusão é assunto debatido nas mais altas cortes e pelos intelectuais mais renomados, então qual seria a dificuldade em falar dos desafios educacionais desse nicho da população?

 

Sejamos sinceros, todos nós, professores, alunos, pais e principalmente políticos que em sua maioria esmagadora pouco pensam em melhoramentos educacionais, somos coniventes com um país onde a educação pública mingua, onde nossos professores ganham salários aquém de suas necessidades básicas, onde os alunos poucos ou nada querem com os estudos e onde os pais, aqui simbolizando todas as formas de família, preciso ser politicamente correto, em quase nada acompanham seus filhos nas escolas.

 

Nos acostumamos a aplaudir a erudita cultura de um Caetano Veloso, um pseudo-exilado político, defendendo o contato de crianças com órgãos genitais adultos em nome de uma cultura, que não convenceu muita gente. Mas, deixa eu falar pouco, o nobre arauto disse processar todos que mencionassem a entrevista pretérita onde ficou claro que sua primeira relação sexual com Paula Lavigne, se deu quando ela tinha 14 anos.

 

Aprendemos a nos revoltar de forma seletiva quando Luislindas aparecem reclamando tratamento mais humano diante de seu pequeno salário, mas nos esquecemos de sermos melhores estudantes, melhores cidadãos, melhores professores, porque somente quando de fato nos levantarmos da poltrona da comodidade, teremos escopo para debatermos qualquer assunto, discutirmos para além dos “dias de hoje”, “antigamente”, “eu acho” ou o nefasto “hoje em dia”.

 

Assim, o tema da redação não revela nenhuma teoria da conspiração, mas nos esbofeteia de frente quando evidencia a educação mais ou menos, os alunos mais ou menos, as famílias mais ou menos, principalmente das escolas públicas, onde a maiorias dos pobres e negros, e outras tantas minorias estão. É preciso que juntos assumamos as responsabilidades e percorramos o caminho inverso, lendo mais, buscando mais...

 

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Marcos André Silva Oliveira é Professor de Língua Portuguesa e Redação, especialista em Literaturas de Expressão Portuguesa: Portugal, Brasil e África, além de Advogado, especialista em Educação e Direitos Humanos. E-mail: profmaso28@hotmail.com.

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