Opinião

QUANDO O SAGRADO VIRA PALANQUE

Foto de Fernando Henrique Freire Machado

Sou cristão, sou conservador, tenho minhas convicções políticas e não tenho vergonha delas. Mas justamente por levar minha fé a sério, não aceito que Deus seja usado como cabo eleitoral de candidato algum.

 

Um político pode merecer meu voto, minha admiração ou até minha defesa. Mas jamais minha devoção. Nenhum candidato é messias, nenhum partido é dono da verdade e nenhum cristão deveria ser considerado menos cristão simplesmente porque votou diferente.

 

Também me preocupa ver famílias divididas, amizades rompidas e irmãos na fé tratando uns aos outros como inimigos por causa de uma eleição. Quando chegamos ao ponto de acreditar que nosso candidato representa Deus e que seu adversário representa o mal, já não estamos apenas fazendo política. Estamos sacralizando a política.

 

Posso defender a família, a vida, a liberdade, a justiça e outros valores cristãos sem transformar esses princípios em ferramentas de manipulação eleitoral. Posso apoiar um candidato e, ao mesmo tempo, reconhecer seus erros. Posso discordar de outro sem odiá-lo.

 

No fim, a pergunta mais importante para um cristão não é: “Em quem você vota?”. É: “Quem você segue?”.

 

Eu escolho seguir Jesus Cristo.

 

A política deve servir ao cidadão. O político deve servir à sociedade. E Deus não precisa de candidato, palanque ou campanha.

 

Quando usamos o nome de Deus para defender nossos interesses políticos, corremos o risco de pensar que estamos defendendo a fé, quando, na verdade, estamos apenas usando o sagrado para defender a nós mesmos.

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