Uma reflexão sobre cidadania, liberdade de escolha e consciência política. As eleições são mais do que uma data no calendário. São uma oportunidade de exercer a cidadania e participar das decisões que influenciam o futuro do país e dos estados.
Este texto não tem a pretensão de influenciar o voto, indicar candidatos ou interferir na liberdade de escolha de qualquer eleitor. A proposta é refletir sobre o poder do voto e sobre a consciência política que cada cidadão precisa desenvolver.
No Tocantins, o segundo turno das Eleições 2026, marcado para 25 de outubro, definirá o próximo governador. Mais do que escolher nomes, esse momento exige atenção às propostas, às trajetórias e aos princípios daqueles que pretendem exercer funções públicas.
POLÍTICA SEM ÓDIO E SEM VIOLÊNCIA
É possível defender ideias diferentes sem transformar adversários em inimigos. A democracia pressupõe pluralidade, diálogo e respeito.
A Constituição Federal estabelece a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político como fundamentos da República, além de afirmar que todo o poder emana do povo e que a soberania popular é exercida pelo voto direto e secreto.
Quem pensa diferente continua sendo cidadão, vizinho, amigo e parte da mesma sociedade. A democracia precisa sobreviver às eleições.
VOTO NÃO SE VENDE
O voto é um direito e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. Não deve ser vendido, trocado ou condicionado a dinheiro, favores, vantagens ou qualquer forma de pressão. O Código Eleitoral, em seu artigo 299, criminaliza oferecer, prometer, solicitar ou receber vantagem com a finalidade de obter ou dar voto ou conseguir abstenção.
Por isso, uma política verdadeiramente limpa exige respeito à lei, à consciência e à dignidade do eleitor. Não trocar princípios por vantagens também é exercer cidadania.
A ESCOLHA É DO ELEITOR
Cabe a cada cidadão buscar informações, conhecer propostas, avaliar trajetórias e decidir de acordo com sua consciência. Não se trata de votar por medo, pressão, amizade ou troca de favores, mas de exercer livremente um direito. Seu voto importa.
Cada voto é uma escolha individual que participa de uma decisão coletiva, e toda escolha produz consequências. Por isso, o eleitor também precisa assumir sua responsabilidade depois das urnas: acompanhar os eleitos, fiscalizar, cobrar resultados e reconhecer aquilo que for bem-feito. A democracia não termina no voto. Ela continua na participação do cidadão.
FÉ E POLÍTICA
Para quem possui fé cristã, a participação na vida pública também pode ser acompanhada pela oração e pelo compromisso com valores que promovam o bem comum. Orar pelas autoridades não significa concordar com tudo. Apoiar uma proposta não significa abandonar a capacidade de questionar. E votar em alguém não significa entregar a essa pessoa a própria consciência.
A fé pode contribuir para uma participação política baseada em valores como verdade, justiça, honestidade, misericórdia, dignidade humana e compromisso com o próximo. Como ensina o Salmo 20:7: “Uns confiam em carros e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus.”
A esperança cristã permanece em Deus, mas isso não retira do cidadão a responsabilidade de participar da sociedade.
QUE VENHA O SEGUNDO TURNO
Que o segundo turno, no Tocantins e nos demais estados onde houver nova votação, seja marcado por propostas, diálogo, respeito e liberdade de escolha. Que os candidatos apresentem seus projetos e que cada eleitor possa ouvir, analisar e decidir de acordo com sua consciência.
Independentemente do resultado, continuará existindo uma mesma sociedade, formada por brasileiros que compartilham cidades, comunidades, famílias, escolas, hospitais, trabalho e sonhos.
Os eleitos não receberão um trono, mas uma responsabilidade. Não receberão súditos, mas cidadãos. Não receberão um cheque em branco, mas um mandato para servir ao interesse público. Que a vitória seja também da democracia, da liberdade de escolha e da cidadania.
O voto é secreto, mas a responsabilidade é pública. Cada pessoa tem o direito de escolher. Cada escolha tem consequências. E cada cidadão tem um papel na construção da história do Brasil.
Que Deus conceda sabedoria ao povo brasileiro, aos candidatos e às autoridades. “A nossa alma espera no Senhor; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.” (Salmos 33:20). Que venha o segundo turno, em todo o Brasil, com liberdade, responsabilidade, respeito e consciência política. Porque uma nação também muda quando seus cidadãos decidem não abrir mão dos seus princípios.
