Opinião

ENTRE SHOWS E FILAS DE UTI, AMBOS LOTADOS NO TOCANTINS

Foto de Marcelo Gris

O cenário que se desenha nos hospitais mantidos pelo Governo do Tocantins está longe de ser novidade, mas voltou a escancarar sua face mais cruel nas últimas semanas. O aumento no número de pacientes à espera de leitos de UTI em cidades como Palmas, Araguaína e Gurupi evidencia um sistema que opera no limite — ou além dele.

 

Não faltam relatos. Redes sociais, reportagens e denúncias se acumulam como um prontuário aberto de um problema crônico. A superlotação não é pontual, nem surpreendente. É estrutural. E, como sempre, quem mais sente os efeitos são os municípios do interior, onde a distância até um atendimento de maior complexidade pode custar mais do que tempo: pode custar vidas.

 

O caso de Guaraí é emblemático. Um único hospital para atender cerca de 20 municípios, sem sequer um leito de UTI. A alternativa privada? Inexistente. Na prática, isso significa que qualquer agravamento clínico vira uma corrida contra o relógio, dependendo de uma vaga que quase nunca está disponível.

 

Enquanto isso, a desconexão entre prioridades salta aos olhos. Eventos festivos, cavalgadas e shows grandiosos seguem acontecendo com entusiasmo e investimento. Do outro lado, famílias vivem o desespero silencioso de quem precisa de uma transferência urgente. Nessa hora, não há lado político, ideologia ou rivalidade que importe — qualquer ajuda serve, desde que salve uma vida.

 

Importante dizer: não se trata de um problema recente. O Tocantins convive há anos com ciclos de colapso na saúde pública. A diferença agora é o volume e a visibilidade. O que antes aparecia de forma episódica, hoje se impõe como rotina.

 

A pergunta que fica é simples e incômoda: até quando? Porque, no fim das contas, o sistema não entra em colapso sozinho — ele é empurrado até lá.

Leia outros artigos


ENTRE SHOWS E FILAS DE UTI, AMBOS LOTADOS NO TOCANTINS - Guaraí Notícias