Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é o nome que tem ocupado o topo dos comentários no Brasil, o mesmo Brasil de Sari Mariana Costa Gaspar Corte Real, a patroa que deixou o menino Miguel Otávio, sozinho no elevador.
Infelizmente temos exemplos incógnitos de pessoas que sofrem nas mãos de patrões que se assemelham em muito a Senhores de Engenhos, de uma realidade nem tão distante assim, afinal, fomos o último país das Américas a “libertar” os escravos.
Quando episódios como os de Sthela se tornam públicos a população reage como se fosse algo pontual, que ocorresse uma vez a cada milênio. E não é, situações vexatórias, degradantes, humilhantes, criminosas, ocorrem com muito mais frequência do que se pensa, o fato é que a maioria delas ficam escondidas nos porões, nos quartos dos fundos, nas áreas de serviço. Mas, graças a rede mundial de computadores, nem todo pecado fica escondido.
E assim, Carolina, que mesmo com sobrenome de cerveja cara e ser celeste, felizmente não teve a mesma sorte, aliás, nem parece ser o que ela buscava. Fica claro o escarnio e a certeza de impunidade quando ela sem nenhum pudor começa sua narrativa, que poderia muito bem ser atribuída a Stephen King, sobre o modus operandi com que subjugou, ajudada, segundo suas palavras, por um agente público, a empregada doméstica, tudo isso, pasmem, narrado em detalhes em um grupo de mensagens. Embora aqui, eu abra especial destaque para o tipo de pessoa que integra esse grupo de amigos de Carolina.
“era tanto murro, tanto tapa” “ele já veio com a jumenta de uma arma, chega brilhava” “tirou a toca, botou ela de joelho e botou a bicha na boca dela” “não era pra ter saído viva” “parou uma viatura, e o policial disse que se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas”, essas são daquelas coisas que vocês diz que só acredita vendo, e quando lemos ou ouvimos, ainda assim não acreditamos. Ao ser abordada para uma possível entrevista, após sua prisão, Carolina disse “Sou empresária, mãe, cristã. Isso Foge de qualquer princípio meu.”
Não sei exatamente de que princípios ela fala, mas, o que se espera é que o caso não se assemelhe ao de Sarti Corte Real, que hoje faz medicina e vive o doce sabor de uma vida nababesca ao lado de sua família...
